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Bagagem Cultural – Parcerias do Bem

bagagem cultural

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Diferencial que possibilita independência intelectual, aquisição e expressão de pensamentos próprios. A bagagem cultural depende das informações a que temos acesso, mas, mais do que isso, depende da nossa capacidade de observação e de absorção de aprendizados e conhecimentos, oriundos tanto de um processo clássico de educação, como de nossas experiências de vida.

Matéria publicada na Revista Parcerias do Bem, ed.outubro/2010
Texto: Soraya Pericoco

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Luciano Alvarenga

Mas não se engane: não adianta simplesmente ler bons livros, assistir filmes, viajar, estudar em boas escolas e ter convivência com pessoas de bom nível intelectual. A bagagem cultural depende das informações a que temos acesso, mas, mais do que isso, depende da nossa capacidade de observação e de absorção de aprendizados e conhecimentos, oriundos tanto de um processo clássico de educação, como de nossas experiências de vida.Você já reparou em como é agradável conversar com pessoas que conseguem discorrer, com certa profundidade, sobre vários assuntos? Como a prosa fica mais dinâmica e enriquecedora com esse tipo de pessoa! Esse “pequeno diferencial” de pessoas interessantes é designado na Sociologia como bagagem cultural, que pode ser resumido genericamente como a quantidade de conhecimentos e vivências aprendidos.

Para entender um pouco mais sobre como “formar essa  bagagem” e sua importância, a Parcerias do Bem entrevistou dois especialistas em cultura e conhecimento em áreas correlatas: Luciano Alvarenga, sociólogo e professor universitário; e Romildo Sant´Anna, professor doutor, escritor, jornalista e pesquisador.  Acompanhe a entrevista e entenda um pouco mais sobre esse enriquecedor assunto.

Parcerias do Bem – O que é bagagem cultural e qual a importância desse “arquivo de conhecimentos” na vida das pessoas?

Luciano Alvarenga –  É fundamental dizer que não é possível ter bagagem cultural quando não sem tem um norte, um sentido que justifique a caminhada. Bagagem cultural é a poeira da estrada, as experiências do caminho, são os bons livros que lemos nas diferentes fases da vida; as pessoas que encontramos, transamos, conhecemos e vivemos, e que carregamos para sempre com suas idiossincrasias e com quem aprendemos, ainda que na dor. São as viagens, os lugares, e as pessoas que experimentamos de leve, mas que nos deixam impressões e sensações muitas vezes marcantes. Bagagem cultural é uma experiência inusitada, um acontecimento inesperado e que nos precipita numa aventura, que numa situação normal jamais aconteceria. Bagagem cultural é tudo aquilo que nos torna melhor à medida que vivemos, e que pode ser apreendida pelo outro quando entramos em contato com ele. Por que determinadas pessoas nos atraem mais que outras, gostamos mais do papo, da maneira com que fala, ouve e se coloca em cena? Geralmente são pessoas com grande bagagem cultural, vivência de mundo e de sentimentos. Pessoas interessantes têm profundidade, sentimentos contundentes e por isso provocam admiração. Está em falta hoje em dia.

Romildo Sant’Anna –  Bagagem cultural é o acúmulo de situações vivenciadas, prestando-se atenção nos detalhes, nas expressões que poderiam parecer banais. Ao mesmo tempo, como ensina Dom Quixote, é pôr-se a ler tudo o que pode ser lido, mesmo um papel encontrado na rua.  É estar-se em processo constante de avaliação das informações, é dedicar-se a temas específicos e os correlatos a esses temas. A bagagem cultural possibilita independência intelectual, a aquisição e expressão de pensamentos próprios.  Pessoas de pouca bagagem cultural são, comumente, repassadores de ideias alheias

PB – Atualmente, com o aumento ao acesso de informações está mais fácil as pessoas adquirirem “conhecimentos úteis”?

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Romildo Sant’Anna

Romildo – A facilidade ao acesso às informações tem aspectos negativos e positivos. Não é producente quando a facilidade converge para a banalização do conhecimento.  É producente porque promove as inter-relações do conhecimento em menor espaço de tempo.  Mas, geralmente, a aquisição do conhecimento deve ser uma prática demorada, absorvente, com atenção às linhas, interlinhas e entrelinhas.

Luciano –  Se útil for saber quantas calorias tem uma maça, sim. Mas se for ao sentido da pergunta acima, não. Conhecimento não é um site, um livro, ou um blog. Conhecimento é uma caminhada, um sentido que me guia em direção da realização de um “eu” profundo, que não posso viver sem realizar. Nesse sentido, as coisas estão tão ruins hoje como estavam antes, quando as pessoas não tinham acesso nem a bibliotecas. A febre é de consumo e não de conhecimento. As pessoas continuam mergulhadas num mar de mediocridade onde só enxergam um tipo de realização, a realização no consumo, consumo das mesmas ideias, do mesmo padrão de beleza, dos mesmos quereres, dos mesmos sonhos, da mesmice.

PB – O que deve ser arquivado e o que pode ser deletado?

Luciano – Depende de cada um e o que se pretende.

Romildo – Bagagem cultural, como toda bagagem, pesa.  O saber ocupa espaço.  Por isso, o conhecimento deve ser focado.  Isto não nos exime de nos interessar por áreas diferentes.  Por exemplo, nos últimos 10 anos, tenho lido o que posso sobre História (principalmente a Nova História) e Física Quântica, que é uma ciência proveniente da filosofia. O saber não é um ato de soma aritmética, mas de multiplicação ou produto.

PB  – A escola é o principal agente formador da nossa bagagem cultural? Existem outros agentes, quais?

Luciano – A escola é o pior e mais atrasado dos formadores culturais. O que ela passa não dialoga mais com a sociedade, é uma instituição anacrônica. O mundo todo se transformou num agente de formação. A questão é procurar. A qualidade dos meus amigos, e depois do meu parceiro amoroso, é o primeiro passo em direção a uma bagagem cultural rica. Quem anda com medíocres tende a sê-lo também.

Romildo –  As instituições educativas (e aí não se comportam apenas as boas escolas) são essenciais para o processo intelectual e cultural.  Mas suas ações têm menor eficácia se não estiverem coordenadas com a determinação individual de se adquirir conhecimento e cultura.  Em tempo: você nota que faço distinção entre erudição e cultura?

PB – Como construir uma bagagem cultural interessante e inteligente?

Luciano – Ler bons livros é fundamental, os clássicos russos, especialmente do século XIX, os franceses e os norte-americanos são incontornáveis. Filmes é o que você já citou, as lojas estão cheias deles, todo mundo sabe o que deve ler, assistir e visitar. A questão não é saber, é estar preparado para a transformação que pode ser operar nesta caminhada. As pessoas sabem mais do precisam para serem melhores do que são, mas continuam da mesma maneira por escolha. Por um profundo medo da felicidade. Conhecer-se é ser melhor, ser melhor é se transformar, poucos querem isso.

Romildo – Somos herdeiros dos conhecimentos intelectual, cultural e artístico da humanidade, desde o princípio.  Nesse sentido, o desapreço aos autores clássicos é um crime contra o saber.  E esses “clássicos” encontram-se nos museus de arte e de ciências, filmotecas, hemerotecas e, mormente, nas bibliotecas.  Em minha mais recente viagem aos EUA, ocupei-me de visitar museus de história natural e de antropologia, principalmente de Chicago e Nova Iorque.  Mas, nessa cidade, é impossível deixar de visitar o Museu Metropolitano de Artes.

Luciano Alvarenga: Sociólogo, professor universitário e editor do Blog Cama de Prego – www.lucianoalvarenga.blogspot.com

Romildo Sant´Anna: Mestre e doutor pela USP e livre-docente pela Unesp. Cursos de especialização em arte e cultura hispânica no Instituto Iberoamericano de Cooperación (Madri). Orientador de 19 mestrados e 3 doutorados. Autor de oito livros individuais. Recebeu cerca de 40 prêmios nacionais e internacionais entre os quais, o Prêmio Governador do Estado de São Paulo (revelação) e o Prêmio Casa das Américas (Havana). Jornalista, dirigiu peças de teatro e filmes de cinema. Fundou o Museu de Arte Primitivista ‘José Antônio da Silva’ e foi sub-secretário da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

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