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Reconstruindo heróis e heroínas

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Recentemente, estreou na Netflix (provedora de filmes e seriados via streaming), a série de ação “Luke Cage”, adaptação dos quadrinhos do herói homônimo. Cage é um super-herói negro, que atua no bairro de maioria afro-americana, o Harlem, em Nova Iorque. A série é relevante porque saiu do senso comum de uma produção sobre um super-herói, abordando problemas sociais atuais.

O seriado possui personagens riquíssimos, os quais se envolvem de tal maneira com o bairro, dando ao Harlem uma vida única. “Pop” e sua barbearia, ponto de encontro de toda a comunidade, cria um viés afetivo e familiar para a região. O diretor Cheo Coker dialoga com filmes clássicos dos anos 80, os quais usaram da barbearia como referência, de Ed. Murphy a Spike Lee. O local está repleto de referências à cultura afro-americana, da discussão dos melhores do basquete aos clássicos musicais.

Um personagem central na trama, líder do crime, é Cornell “Boca de Algodão”. Ele representa o negro que na juventude foi engolido pela marginalidade. Vivendo em um ambiente hostil, desperdiçou um talento incrível no piano para se tornar um gângster, apesar de ainda acreditar no progresso da comunidade. Ele usa da riqueza ilícita para promover sua boate, tentando reviver a época áurea do Cotton Club, momento clássico da “Renascença do Harlem”, na década de 1930, por onde ecoaram grandes vozes e nomes da cultura negra. Também há Mariah, vereadora que “representa” a comunidade. Ela usa de sua imagem polida e de seu passado no bairro para criar um “novo Harlem”. Entretanto, em seu jogo de aparências, age na imoralidade ao fazer parcerias com o tráfico e policiais para enriquecer. Sua corrupção colabora para a marginalidade da vizinhança.

Nesse contexto, aparece Luke Cage, o super-herói improvável em uma comunidade onde a ficção e a realidade se confundem. Na adaptação, Cage abandonou a vida do crime; reconstruiu-se; entrou para a polícia, mas foi preso injustamente. Na cadeia, foi vítima de um experimento e adquiriu superforça. Trabalha duro em dois empregos e pela pacificação da comunidade, imersa na violência. Mas, não somente. As cenas passeiam pela História do Harlem, que representa a identidade negra. Cage anda pelas ruas Malcolm X, Martin Luther King Jr, pelo parque Marcus Garvey. Em vários momentos ele contesta a alienação de seus “brothers”, que se matam pela droga e destroem a luta de seus antepassados, dialogando com os discursos de Malcolm X, ou, atualmente, com a morte de vários jovens negros na periferia dos EUA, ora em confrontos com a polícia, ora por gangues, enaltecendo o movimento “Vidas Negras Importam”.

Por fim, a série tornou-se uma questão de empoderamento: elenco composto por maioria negra, com mulheres negras em cargos importantes e trilha sonora da black music. Cage anda pelas ruas com o rosto escondido por um capuz (quantos já foram falsamente incriminados por isso?), lutando pela pacificação de um bairro pobre. Ele se torna uma grande referência para jovens negros de periferia que se cansaram de ser tratados como bandidos. Eles também querem ser vistos como heróis. Sua identidade será mais um instrumento no combate ao preconceito racial. Afinal, representatividade importa, principalmente para aqueles que sempre foram excluídos ou vistos por meio de estereótipos.

Artigo

Juliana Carvalho Tebar, advogada, bacharel em Direito pela UEM, especializada em processo tributário

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